Ela estava ali. Encostada, sem saber o que dizer. Farta de dizer sempre as mesmas palavras. Os olhas brilhavam. Fartos de conter as lágrimas. Depois de quase caírem, voltaram para dentro aquelas lágrimas que ela queria deitar cá para fora juntamente com um grito seco de raiva, de ódio, de medo - de puro medo de perder uma pessoa que ama. Com medo que a vida dela mude para sempre, sem ela poder dizer uma palavra quanto a isso. A vida para ela não fazia sentido. Quem estava com ela percebeu que sem saberem eram amigos de uma vida. Demonstraram o carinho que os unia ao partilharem aquele momento, ali os três encostados em paredes diferentes. Paredes que reflectiam o que sentiam naquele momento. E por entre compreensão, desespero, ódio por situações assim, a amizade estava presente e os dois amigos perceberam que tinham de sair. Saíram e as lágrimas dela escorreram. E depois de ter extravasado aquilo que tinha dentro de si para que só as paredes a ouvissem. Voltou a ser a pessoa que os outros conhecem. Compreensiva, que ouve e que tem sempre algo a dizer a quem a procura. Desligou o lume, colocou a água na chávena e foi beber o seu chá, na companhia de quem naquele momento precisava dela.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
19 anos!?!?!? a sério!??!?!? Really?!?!?!?!
ResponderEliminar