«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sonhos

Sonho a toda a hora. Sonho mais que muito e não me canso de sonhar. O medo vem com os sonhos - o medo de que sejam só sonhos e que por isso nunca se tornem realidade. Sonho com coisas que me parecem possíveis de acontecer já no próximo minuto. Se é possível que aconteça porque não acontece? O que posso fazer mais para que o sonho que me ocupa os minutos silenciosos se torne a realidade?
Sonho a toda a hora. E agora sonho com um sonho feliz. Em que o avô melhora rapidamente. Em que sai do hospital. Sonho com toda a gente feliz num jantar de terça-feira. Sonho que é possível isto acontecer. Sonho agora e vou continuar a sonhar. Vou continuar a sonhar com dias de sol sem vento. Com amigos e o tempo todo para ser feliz. Por esse país fora... a ouvir música e a dar gargalhadas, sentados a conversar e a ver ao longe a noite a chegar. A viver noites boas e a sermos todos felizes. É outro sonho bom que me tem ocupado mais do que os minutos silenciosos. Tem-me ocupado quase todos os minutos. Custa-me a adormecer com tantos sonhos e custa-me a viver a realidade que seria tão melhor se estes dois sonhos se realizassem agora... Enfim... Sonho porque quero acreditar que a vida pode ser uma vida de sonho. Ou melhor, uma vida com muitos sonhos - e sonhos felizes!
E tu, que me deixaste e partistes sem pensar, sonhas como eu? Não, já me esquecia... tu és o meu sonho, e por isso, não precisas de sonhar. Vou continuar a fazer o que tenho feito até hoje. Sonhar e escrever, escrever e sonhar. Rir e gostar, gostar e rir. Olhar, rir e SONHAR, ah, e ir-te dizendo que vou continuando a sonhar... não contigo, mas para ti.

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