«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um Dia...

Tinham um dia. Um dia para serem felizes.

Ela viveu toda a sua vida à espera daquele dia.
Ele quis fazê-la feliz.

Mas...
E depois daquele dia - quantos mais haveriam destinados à sua felicidade?

Ele queria prolongar aquele dia para sempre.

Mas não pôde. Era só um dia de felicidade que lhe concediam.

Então optaram por nadar.
Nadaram juntos, enquanto chovia e as nuvens tapavam o azul do céu. O mar agitado como a revoltar-se perante a injustiça de só lhes ser dado um dia de felicidade.

Nadaram. Olharam-se e foram felizes.

O dia acabou e eles pensaram: podemos ser felizes todos os dias.

A felicidade acabou.

O mundo fechou e eles voltaram à vida de todos os dias.
Suspensos de tudo aquilo que sonharam para a sua vida.
Sonhando a cada segundo poderem voltar àquele dia. Poderem repeti-lo.

Mas não poderam. Tinham de viver e deixar-se levar.

Mas por aquele dia de felicidade que viveram juntos, a vida tomou sentido e tudo valeu a pena.

Pai e filha viveram para sempre com uma boa recordação.


Com a recordação de um dia feliz!

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