Parecia um filme.
Um filme em câmara lenta.
A música ia alta. Aumentava cada vez mais.
Mas eles não ouviam.
A música não interessava nada.
Ela transbordava de raiva - de sentimentos que tinha de lhe falar.
O amor era isso - partilhar sentimentos.
Ele não queria acreditar.
Ela não se calou.
As lágrimas escorriam pelas suas caras.
Não podiam mais continuar assim.
Ele levantou-se.
Ela pediu-lhe para não dizer nada.
Entreolharam-se.
O amor ainda existia. Ou não?
Ela parou de chorar.
Olhou para ele e dizendo tudo o que conseguia dizer,
disse: "Não posso mais."
E virou as costas.
Ele só agora parava de chorar.
O que queria tudo aquilo dizer?
Ninguém percebia.
A câmara lenta continuava.
Ele aproximou-se dela.
Ela voltou-se e disse-lhe ao ouvido:
"Nunca te vou esquecer".
E partiu.
E a câmara lenta terminou.
O filme tinha acabado.
Ela partira.
E os dois ficaram para sempre ligados.
Ligados por aquele filme gravado apenas nas suas cabeças.
A música parou.
A cortina fechou.
E o filme acabou.
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