«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


terça-feira, 30 de novembro de 2010

E foi apenas mais um dia em que a única coisa que ela procurou
foi um abraço. Um abraço quente, que
a
fizesse esquecer as
lágrimas nunca derramadas mas sempre sentidas. Era só isso:
um
abraço.

domingo, 28 de novembro de 2010

São as leis da vida. Uns são-no para sempre, outros nem por isso.
E o que há a fazer é aprender a viver com isso. Conforma-te com a vida, com as oportunidades não alcançadas, com os desejos nunca cumpridos, conforma-te com a vida que alguém te construiu. Não a re-construas, conforma-te!

Conforma-te com tudo. Ou então não.

Pensa nas leis da vida como algo sem importância, pensa assim para todas as leis.
E aprende a contornar os sistemas, a viver com o inconformismo. Nunca te conformes com a vida: luta por tudo o que queres - desejos e anseios, oportunidades e sonhos. Não te conformes com o que já construís-te, constrói mais, sempre!

Não te conformes com nada. Tu é que sabes!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Como sempre,
ele aceita todos os abraços, todos os acenos gentis, todos os cumprimentos, todos os sorrisos, todos os segundos em que alguém o vê - aí sente-se gente, sente-se alguém.
Como sempre,
toda a gente tem uma opinião a dar, toda a gente tem algo a dizer, toda a gente pensa em alguma coisa, toda a gente sente algo, diz algo, vê algo.
Como sempre,
ele sabe sabe que há quem não o veja, que há quem não o sinta, nem tão pouco saiba da sua existência, ele sabe disso, e é isso que o magoa.
Como sempre,
todas as palavras escritas têm um sentido, mesmo que indecifrável para a maioria, como sempre ninguém percebe o porquê de algumas frases.
Como sempre,
ele escrevia sem que ninguém o soubesse, lia sem que ninguém o visse, sem que ninguém o aconselhasse - descobria um mundo de páginas com vidas.
Como sempre,
a única coisa que ele queria era poder um dia ser visto de forma diferente, ter um aceno que o marcasse mais, acenar de forma a marcar alguém, escrever para alguém e ler com alguém, como sempre, a única sensação que ele queria para si por um bocadinho era o amor - que nunca o sentiu verdadeiramente.
Como sempre...

domingo, 21 de novembro de 2010

Como sempre foste, ainda hoje te vejo como o meu escape. Aquele porto seguro que todas as pessoas têm - é assim como te vejo. Com cada segundo em que penso em ti, com cada palavra que te digo ou que oiço tu dizeres-me - tudo isso é o meu porto seguro, a minha garantia. Garantia vitalícia, espero.


Pode ser?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E naquele dia ele seguiu um impulso: disse-lhe tudo. Ela respondeu-lhe com as palavras que ele queria ouvir, e têm a certeza: ainda se vão encontrar mais vezes - noutro local, com outras pessoas, mas ainda vão poder lembrar as memórias que agora guardaram.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Que raiva que me metes. Por todos os minutos desperdiçados contigo e por todas as vezes que te defendi. Por todas as vezes que me viraram a cara e por todos os momentos em que não te tive.

Sinto raiva por ter dado de mais. Por ter esperado de mais por ti e por ter dado de mais de mim. Por todos os sinais que não entendi e por todas os meus olhares que ficaram sem resposta.

É mesmo raiva - raiva por te ter dado tudo o que sou, e por tu não retribuíres como sempre esperei. No fundo, raiva por esperar algo. Porque amar é gostar sem esperar algo. E eu esperei. Que raiva.

domingo, 14 de novembro de 2010

E
a vontade de um abraço apertado
inundou-lhe o pensamento
naquele dia em que tudo o que procurou
em cada rosto fechado
que por ele passava
era um sorriso,
uma mostra
de que alguém ali estava,
de que alguém o tinha visto.
Queria apenas um abraço
apertado.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E ela ouvia ao fundo a Little Bird dos Jazznova com o Jose James, e só se conseguia lembrar da última vez que tinham estado juntos. Ele tinha-lhe tocado e cantado aquela música. Na altura não a conhecia, mas depois, marcou-a para sempre. Tinha sido o último momento de pai e filha.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

são as mensagens que me fazem pensar. as mensagens que me deixas no atendedor, nos bilhetes matinais ou nas cartas que me envias para casa, com selo, carimbo e envelope de resposta. são estas mensagens, estas cartas e estes bilhetes que me lembram todos os dias porque gosto de ti, porque me sinto bem contigo e completo contigo. são esses os motivos que me fazem continuar a acreditar que vai ser sempre assim, mesmo apesar de eu saber que não. que não será sempre assim e que os nossos dias felizes estão escritos e têm um fim. isso dói, dói muito. mas o que me interessa é que a vida corre, e nos dias em que dormes na minha cama, acordas cedo e vais, mas nunca sem antes me deixar um bilhete, ou nos dias em que sabes que não estou em casa e telefonas de propósito para que quando eu chegue te possa ouvir um bocadinho na mensagem que deixas no atendedor só a contar-me qualquer coisa. continua assim. pelo menos até ser suposto, que assim eu fico feliz. porque são estas mensagens que me fazem pensar o quanto é bom termos dias felizes!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Naquele dia eles encontraram-se.

Encontraram-se por acaso, por coincidência.
Lembraram-se do que tinham vivido juntos.
Lembraram-se do quão felizes tinham sido.
E depois lembraram-se porque não o tinham sido para sempre.

Preferem esquecer, esquecer para sempre.
Esquecer o que os fez odiarem-se.
Esquecer porque não conseguiram.
E lembrarem-se sempre dos dias felizes.

Naquele dia eles pensaram "e se...".
E naquele dia eles lembraram-se que não havia coincidências.
Talvez as coincidências não existam.
Talvez aquele encontro tivesse ocorrido por um motivo.
Talvez o motivo fosse voltarem a ver-se.
Voltarem a ver-se e a apaixonar-se.

Mas... e se?
Talvez não.

sábado, 6 de novembro de 2010

Será sempre a mesma coisa. Escrever para ti com os nervos da última conversa ainda presente. Com a saudade dos próximos tempos sem te ver. E claro, com as lágrimas que me lembram a impossibilidade de um futuro calmo, sem interferências e feliz. Nunca há-de acontecer. Ninguém deixaria. Nem nós próprios, não é?
Escrevo para ti sempre à pressa. Com medo que alguém me descubra, que me rasgue a folha em pedaços pequenos depois de a ler e de gozar. É por ser à pressa que é bruta, simples e muito pouco perfeita, como deveria ser. Desculpa.
É sempre à pressa que nos amamos. É sempre à pressa que nos vemos. A vida obriga-nos a isso. E nós também. Não queremos que mais ninguém saiba. Seria difícil. Não queremos dar nas vistas e dar-lhes a oportunidade de nos separarem. Enquanto der para nos irmos vendo, para nos irmos amando, para chorarmos e rirmos juntos mesmo que por pequenos momentos, será bom. Será bom porque é o melhor que conseguimos. E isso já me chega, para acordar todas as manhãs e pensar que falta menos um dia para te ver.
Desculpa escrever-te sempre à pressa, mas não quero que me rasguem também esta folha. Vai assim, como a escrevi. Com tudo o que sinto. Com palavras simples, e com tudo o que me apetece dizer-te:
Amo-te.