«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


domingo, 30 de maio de 2010

Cidades

Sim, venho falar-te de cidades. Não são aquelas cidades grandes, com muitas pessoas e movimento. Nem aquelas cidades que se dizem bonitas, que são cenários de filmes e livros, ou de histórias de pessoas de quem nunca ouvimos falar nem antes nem depois do filme ou livro terminar. Porque nessas cidades as pessoas são iguais. As pessoas, as casas, o mar, o brilho do sol, os sorrisos e as lágrimas passam despercebidos, as vidas perdem interesse e tudo é sobre valorizado.

Sim, venho falar-te de cidades. Mas não dessas cidades habitadas pelo mundo, ou dessas cidades vividas de dia e de noite de forma tão diferente, antagónica até. Não te venho falar daquelas cidades onde já fomos em sonhos, onde pensámos ir, ou onde dizemos que nunca havemos de ir. Essas cidades são de toda a gente e os momentos lá vividos são iguais em muitas vidas. As cidades que me interessa falar estão desertas, ou quase... As cidades que te venho falar não têm cheiros, não têm sons, não têm cor. São cidades simples onde tudo é realmente diferente.

Sim, venho falar-te de cidades. Mas não de "cidades". É de uma cidade só.

Sim, é apenas de uma cidade que te venho falar. A cidade onde fomos felizes, onde nos rimos juntos, onde vivemos juntos por momentos, onde podemos dizer que fomos verdadeiramente felizes. A cidade que hoje me importa recordar é a Cidade da Amizade, para sempre tua e minha!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Eles são quem melhor se conhece - mesmo sem saberem.
Eles são felizes no silêncio e no barulho.
São menos felizes de formas diferentes. Um diz tudo, o outro não diz nada e guarda tudo. Mas vão vivendo.
Têm vindo a viver a vida em comum todos os dias. Dividem conquistas, vibram com as alegrias do outro e sabem que se o mundo acabar vão poder contar sempre um com o outro.
Eles são os melhores amigos. Os amigos de uma vida. Os manos.

[Um dia feliz é o meu desejo mais sincero. Adoro-te!]

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E sem saber bem o que fazia, ela escreveu na folha dele:

«Não consigo, no entanto, deixar de respirar de alívio, apesar destas lágrimas que teimam em cair e salgar-me o rosto, mesmo sem eu querer.»

E ele só conseguiu assentir afirmativamente com a cabeça, ou como quem não tinha ouvido nada, ou como quem se sentia tão cansado de pensar e sentir o mesmo que ela.

E ela percebeu que era, sem dúvida, a segunda opção.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

São ripas verdes de madeira, unidas numa armação de ferro e presas por grandes parafusos que dão forma ao banco do jardim que ouviu a conversa deles. A conversa que acabou bem e que deu àquelas pessoas uma razão para se olharem felizes. Para olharem o rio que passa e a relva que atrás deles lhes traz o cheiro de acabada de cortar. A mistura do cheiro do rio, com o da relva recém cortada eternizou aquele momento. Eles sabiam-no. E o banco de jardim também. Foi um momento feliz que contrastou com outros momentos que passaram por aquele banco. De lágrimas caídas sem amparo, de conversas tristes e de decisões abruptas. É assim, a vida de um banco de jardim, mas hoje aquele jardim e aquele banco estavam felizes, porque ajudaram a que a felicidade continuasse para aquelas pessoas.
E depois, mãe e filho levantaram-se. Deram um beijo de boa tarde e partiram para as suas vidas. O almoço tinha sido o melhor momento do seu dia, não pelo jardim, nem pela sandes, mas pela companhia de um filho e de uma mãe que se amam para sempre.




E eu amo a minha para sempre!
Choro. As lágrimas escorrem pela minha cara sem eu saber porquê. Penso em tudo. Penso no que vivi e no que vou viver. No que desejo e em tudo aquilo que quero conhecer. Em todos aqueles que quero ver crescer e tornarem-se alguém. Penso nas situações que me podem ter levado a estar assim. E sem saber continuo a chorar. Só eu sei o quanto me custa passar estes momentos sem ti. Tu que me abraçarias sem dizer nada e que me farias sentir livre. Livre para chorar sem razão. Ou então, livre para encontrar uma razão. Livre para dizer que o que me faz chorar é não te ter perto de mim.
Adoro-te.