Era um dia normal de Primavera. Luísa gostava especialmente desses dias, e levantava-se particularmente cedo, e às seis da manhã já a casa pequena e de uma vida cheirava a café e torradas. Hoje levantara-se particularmente bem-disposta. A vida corria-lhe bem e hoje o dia estava bonito.
Luísa gostava de ver o dia amanhecer ou de ver a claridade a tornar-se luz, e naquele momento via isso, com o seu café seguro pelas suas mãos de pele fina e enrugada que reflectia a vida que vivera e as experiências que tivera. Luísa dizia que cada ruga que tinha era um sorriso sincero que tinha dado a alguém – era esta a forma de se assumir como uma pessoa de boa índole e que assumia as suas rugas, demonstrando que até era bom tê-las.
Luísa perdera o único homem que amara havia tempo, e vivia agora para a sua casa, as suas flores, e acima de tudo para as suas duas filhas e para os seus pequenos netos. Hoje o dia parecia-lhe melhor do que todos os outros. As flores tinham um perfume mais intenso, o sol brilhava mais, e a vida parecia-lhe melhor. Hoje tinha um almoço com uma das suas filhas.
Estava marcado desde o fim-de-semana quando todos se encontram na pequena casa da avó Luísa e a enchem com gargalhadas e gritos de alegria. E marcado que estava, não era preciso confirmar. Luísa assumira este ritual mãe-filha desde que deixara de trabalhar, momento que coincidia com a chegada do primeiro neto. Aí passou a combinar semanalmente um almoço, um lanche ou um simples café, em que dava a cada uma das suas filhas, separadamente, um momento a sós com a mãe. E como gostavam desse momento.
Hoje o almoço era à beira-mar com a promessa de um peixe grelhado e de boa conversa. O sol ia alto e o almoço correu. Terminado o café, a filha de Luísa fez questão de pagar o almoço à mãe e retomou a sua vida de mãe e trabalhadora de sucesso, deixando ali a sua mãe, Luísa, a aproveitar com a calma que merece aquele sol primaveril que lhe provoca um sorriso constante.
O tempo passava e Luísa ali continuava. Bebia o seu sumo de laranja natural descontraidamente, reflectindo a forma como encara a sua própria vida. E olhava o mar que brilhava com aquele sol dourado que iluminava o dia com o espírito próprio de um dia assim. E Luísa ali permanecia, com as suas leves mãos entrelaçadas sob as pernas cruzadas e olhava o mar.
Enquanto olhava o mar pensava no que a relação que mantinha com as filhas era de verdadeiro amor. Este sim era o amor de uma vida. Mas Luísa pensava também que era na relação que mantinha com as suas filhas, e na relação que elas mantinham entre elas e consigo que residia aquilo a que se pode chamar de amizade verdadeira. Era ali que ela encontrava o que era ser amigo. E pensava que ser mãe é dar amor e também amizade, para que tudo se construa numa base de harmonia e felicidade. E assim corria a vida de Luísa. Feliz com a amizade que tinha com as suas filhas, que era o verdadeiro reflexo de todo o amor que sempre lhes tinha dado.
- E como em sete parágrafos se pode escrever uma história de um sentimento tão puro e verdadeiro com apenas sete letras: A-M-I-Z-A-D-E. Que é na verdade o resultado de um grande amor.
Deixa-me dizer-te, que entre o outro e este... su completamente FÃ, deste!
ResponderEliminarEscreves tão bem!!!!!
Parabéns, continua!