quarta-feira, 31 de março de 2010
No bar. Às 10 e 10.
Janela Entreaberta
Percorria aquele caminho sem saber onde ia dar.
Disse olá a quem a ele se dirigiu, acenou a quem lhe acenava e logo voltava a entrar nos seus pensamentos sobre nada e sobre tudo.
Sem se aperceber mudou de direcção. Continuou a caminhar...
João encontrou-se a ele próprio nos cheiros fortes da hora de almoço, nas cores dos cortinados que vinham para a rua num compasso de espera que aquele vento de Primavera obrigava. Mas acima de tudo, João encontrou-se nas conversas cruzadas, nas gargalhadas que se ouviam e em toda a alegria que aquela janela entreaberta lhe provocou.
Sentou-se no chão, continuou nos seus pensamentos.
Depois de algum tempo, levantou-se. Mudou de rumo e foi feliz!
[A janela é um simples momento e o caminho é a vida, porque acredito que um momento pode transformar uma vida. Hoje, uma história feliz, porque a Diana gosta de histórias felizes. Parabéns! 31-03-2010.]
domingo, 28 de março de 2010
às vezes
quinta-feira, 25 de março de 2010
Naquele dia...
Queira fazer tudo a correr só para chegar perto dela outra vez.
Para voltar a senti-la.
Conversou a correr.
Comeu a correr.
Trabalhou a correr.
Viveu a correr.
Tudo isso inconscientemente.
Só para estar perto dela.
Para voltar a pensar na vida.
Para voltar a olhar orgulhoso para a vida.
Aquele dia, ele viveu-o bem-disposto.
Mesmo apesar de ser um dia que o deixava triste.
Foi naquele dia que passavam dois anos sobre a morte dela.
Naquele dia ele continuava a amá-la.
E esteve sempre com ela...
quinta-feira, 18 de março de 2010
NÃO!
- Não, por favor, não!
Foram as últimas palavras que Cristina disse, o seu mundo tinha acabado. Era o fim, o seu fim.
Sem saber como, Manuel tinha acabado de calar Cristina. A sua mulher morrera-lhe nos braços.
- Como é que é possível? Acorda! Não me deixes!
Eram estas as palavras que Manuel dizia, depois de perder a sua mulher, de a ver partir por tanto sofrer. Manuel tinha agora dois filhos para educar, para fazer crescer com felicidade. Mas como fazê-lo? Era Cristina que fazia isso, era ela que cuidava da casa, era ela quem educava e tratava dos filhos, e sem perceber como, Manuel viu-se sem a sua mulher. Chegou a ambulância.
- O que raio aconteceu aqui? – perguntou o para-médico chocado com o cenário que observava, mas infelizmente sabia a resposta, não era a primeira vez que se deparava com situações destas.
- Não sei homem. Ela está morta? – perguntou Manuel aterrorizado.
Sim, Cristina tinha realmente partido. Partido para um mundo bem melhor, onde iria ver os seus filhos crescer e ao mesmo tempo não ia ter de ver o seu horrível marido espancá-la diariamente.
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[escrito a 18 de Setembro de 2008. já na altura a escrita era um mundo. o meu mundo. ou melhor: o mundo que eu queria para mim.]
domingo, 14 de março de 2010
saudades
Hoje o silêncio é outro, porque é vivido sem ti, e é muito mau.
Tenho saudades tuas...
quinta-feira, 11 de março de 2010
Uma vida estragada
quarta-feira, 10 de março de 2010
O Verbo e a Necessidade
É preciso respirar sempre,
É preciso olhar sempre,
É preciso estar sempre presente.
Amar é difícil.
É preciso ser sempre eu,
É preciso ser sempre teu,
É preciso ser sincero.
Para viver
É preciso amar.
Para respirar
É preciso ser teu.
Para estar presente
É preciso ser sincero.
E para escrever é preciso sonhar!
Vergonha
Quando ela lhe perguntava como ele reagiria perante tal situação ele sabia que lhe estava a pedir para a perdoar.
Quando a conversa acabou, ela pensara que tudo tinha acabado.
Pediu desculpas.
E ele desculpou.
Quando ele falava da vida de outra pessoa, ela sabia que era sobre aquilo que ele gostava de viver com ela que falavam.
Quando ele olhava pela janela enquanto falavam de sentimentos, ela sabia que era porque queria chorar.
Quando a lágrima escorreu, ele pensara que era um fraco.
Levantou-se e ia a sair.
E ela deteve-o.
E como num filme que acaba bem, beijaram-se e foram felizes por um momento.
terça-feira, 9 de março de 2010
domingo, 7 de março de 2010
A - M - I - Z - A - D - E
Era um dia normal de Primavera. Luísa gostava especialmente desses dias, e levantava-se particularmente cedo, e às seis da manhã já a casa pequena e de uma vida cheirava a café e torradas. Hoje levantara-se particularmente bem-disposta. A vida corria-lhe bem e hoje o dia estava bonito.
Luísa gostava de ver o dia amanhecer ou de ver a claridade a tornar-se luz, e naquele momento via isso, com o seu café seguro pelas suas mãos de pele fina e enrugada que reflectia a vida que vivera e as experiências que tivera. Luísa dizia que cada ruga que tinha era um sorriso sincero que tinha dado a alguém – era esta a forma de se assumir como uma pessoa de boa índole e que assumia as suas rugas, demonstrando que até era bom tê-las.
Luísa perdera o único homem que amara havia tempo, e vivia agora para a sua casa, as suas flores, e acima de tudo para as suas duas filhas e para os seus pequenos netos. Hoje o dia parecia-lhe melhor do que todos os outros. As flores tinham um perfume mais intenso, o sol brilhava mais, e a vida parecia-lhe melhor. Hoje tinha um almoço com uma das suas filhas.
Estava marcado desde o fim-de-semana quando todos se encontram na pequena casa da avó Luísa e a enchem com gargalhadas e gritos de alegria. E marcado que estava, não era preciso confirmar. Luísa assumira este ritual mãe-filha desde que deixara de trabalhar, momento que coincidia com a chegada do primeiro neto. Aí passou a combinar semanalmente um almoço, um lanche ou um simples café, em que dava a cada uma das suas filhas, separadamente, um momento a sós com a mãe. E como gostavam desse momento.
Hoje o almoço era à beira-mar com a promessa de um peixe grelhado e de boa conversa. O sol ia alto e o almoço correu. Terminado o café, a filha de Luísa fez questão de pagar o almoço à mãe e retomou a sua vida de mãe e trabalhadora de sucesso, deixando ali a sua mãe, Luísa, a aproveitar com a calma que merece aquele sol primaveril que lhe provoca um sorriso constante.
O tempo passava e Luísa ali continuava. Bebia o seu sumo de laranja natural descontraidamente, reflectindo a forma como encara a sua própria vida. E olhava o mar que brilhava com aquele sol dourado que iluminava o dia com o espírito próprio de um dia assim. E Luísa ali permanecia, com as suas leves mãos entrelaçadas sob as pernas cruzadas e olhava o mar.
Enquanto olhava o mar pensava no que a relação que mantinha com as filhas era de verdadeiro amor. Este sim era o amor de uma vida. Mas Luísa pensava também que era na relação que mantinha com as suas filhas, e na relação que elas mantinham entre elas e consigo que residia aquilo a que se pode chamar de amizade verdadeira. Era ali que ela encontrava o que era ser amigo. E pensava que ser mãe é dar amor e também amizade, para que tudo se construa numa base de harmonia e felicidade. E assim corria a vida de Luísa. Feliz com a amizade que tinha com as suas filhas, que era o verdadeiro reflexo de todo o amor que sempre lhes tinha dado.
- E como em sete parágrafos se pode escrever uma história de um sentimento tão puro e verdadeiro com apenas sete letras: A-M-I-Z-A-D-E. Que é na verdade o resultado de um grande amor.