Joana passara toda a sexta-feira a pensar na noite que tinha pela frente. Ia sair. Ia à mesma discoteca de sempre. E esperava encontrar alguém. Alguém muito especial.
Nas suas últimas idas àquele lugar cruzara-se sempre com um rapaz que a consumia por dentro. Queria abraçá-lo sempre que se cruzavam e nunca mais o largar. E, sem saber, o desejo era recíproco.
E a noite chegou e Joana foi com uma amiga que logo-logo encontrou alguém com quem partilhar a noite e deixou Joana ali, de copo na mão a ver as pessoas passar.
Vê-o entrar na porta e num misto de sentimentos muda a direcção do seu olhar. Não o viu chegar ao pé de si. Mas gostou de virar a cara e de ver que aquele momento estava mesmo a acontecer.
Luís era tudo o que uma mulher podia desejar. E era isso que fascinava Joana. Um jovem rapaz, com uma beleza natural e que chamava a atenção, que aparenta estar bem na vida e que mais do que isso distribuía simpatia. Joana estava verdadeiramente interessada. Enquanto pela sua cabeça passavam imagens de como aquela noite podia acabar, o seu coração batia mais forte. Não pela emoção, mas sim pelo nervosismo que a emoção acarreta. E quando regressou àquele lugar, Luís perguntava-lhe se o acompanhava até à pista. E Joana disse que sim, tentando não mostrar demasiado interesse, mas verdadeiramente desejosa que a noite avançasse.
E a noite avançou. Avançou como se esperava. Como ambos esperavam.
Luís dera o primeiro passo. A música ia alta, e a pista ao seu ritmo, quando Joana recebeu o primeiro beijo daquele que queria guardar consigo para sempre. E depois do primeiro vieram todos os outros. As mãos percorriam os corpos e o desejo aumentava.
Chegada a hora do meio da noite. Os corpos de Joana e Luís ansiavam por mais. Luís perguntou se Joana queria sair dali. A resposta não levou a mais nada a não ser que logo iniciassem o percurso em direcção à saída.
Joana envia uma mensagem à amiga a dizer que se tinha ido embora.
E saíram. Luís pagou a bebida de Joana, e já na rua, Luís ofereceu-se para a levar até à sua casa. Ambos sabiam onde a noite ia acabar.
E acabou onde se espera. Na casa de Joana aqueles corpos sedentos um do outro uniram-se. Uma e outra vez. Joana nunca tivera sido tocada daquela forma. Com todo aquele desejo junto com tanta ternura e calma. Pensara ela que aquele toque era especial. Mas a verdade é que era daquela forma que ela esperava que acontecesse. E por isso aconteceu e ela o sentia tão especial.
E, de facto, foi especial. A noite passou, e a manhã chegou. A roupa no chão - espalhada, reflectia o fernezim que aqueles corpos viveram na noite passada. Uma noite tão especial e tão diferente.
Joana acordara, com o sol na cara de uma manhã de sábado que convidava à paixão, ao romance e à união. Preparou o pequeno-almoço e levou-o a Luís. Acordou-o com o tabuleiro nas mãos, com tudo aquilo que naquele momento precisavam, que era pouco, pois pensavam, tinham-se um ao outro, e isso era tudo. E a noite fantástica prolongou-se pela manhã.
Luís teve de sair. Tinha compromissos. Depois de uma despedida difícil, e com a promessa de que voltaria assim que pudesse, Joana foi encher a banheira, decidida que aquela noite ia prolongar-se pelos dias que viessem.
Queria muito viver assim - apaixonada. Mas o receio do resultado daquela noite assustava-a. Não tomava a pílula há dois dias e não tinham usado preservativo. Dali a uns dias iria a uma farmácia.
Mas sem saber, aquela que tivera sido a sua melhor noite, a noite em que alguém lhe tocara de forma tão especial, fora também, e para toda a vida, a pior noite de uma vida que queria cheia. Pois foi nessa noite, na única noite que acabou por passar com Luís - que nunca mais viu, e que apenas deixou um bilhete na caixa de correio do seu apartamento a dizer que tinha sido diferente para ele também, que ficou com a vida destruída. Sem saber, o vírus-maldito da sida já a habitava.
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