«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

É dos dias frios.
Das saudades.
Dos sonhos que sonho, das saudades
que tenho.
Do que não conheço e do que quero conhecer.
De tudo.
É de
tudo o que os dias frios nos têm dado.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

E será sempre assim. Os dias mudam pouco. A vida corre, e continuará a correr o seu curso normal. E nós temos de nos ajustar. Somos assim: naturalmente insatisfeitos. Pelas lágrimas e sorrisos que reflectem os nossos sentimentos. Pelas palavras que os fazem ouvir. E pelos olhares que os fazem perceber. Será sempre assim: um misto entre o bom e o mau. E o que temos a fazer é habituar-nos a isso. Mesmo que essa seja uma tarefa impossível. É que viver contra tudo, contra o que pensam de nós e para nós é difícil. E às vezes os dedos falham na escrita das palavras que nos libertam, e as pernas falham no caminho para o confronto diário. Será sempre assim - uma vida inconformada, na procura da conformidade.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

E o mar calmo apaziguou-lhe a alma, que numa
tempestade de sentimentos, se lembrou de que aquele era um dos dias mais
difíceis da sua vida.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

e ficarão para sempre os lugares vazios na mesa à hora de jantar

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nunca me deixes parar de sonhar. Nunca me deixes parar de sonhar com momentos felizes, com cores felizes, com dias de sol mas de cachecol, ou dias de chuva em pleno verão. Nunca me deixes parar de sonhar com tudo o que tu e eu sabemos que sonho. Nunca me deixes parar de sonhar nos sonhos de alguém que posso um dia vir a concretizar. Nunca me deixes parar de pensar no dia de amanhã como um dia em que tudo pode acontecer, e que coisas boas acontecem a quem merece. Nunca me deixes pensar que não mereço coisas boas - porque eu sei que até mereço uma ou outra. Nunca me deixes sozinho, deixa sempre alguém por perto, para partilhar os sonhos realizados, as alegrias vividas e as tristezas que hão-de vir. Nunca me deixes sozinho na vida. Nunca me deixes a pensar que não sou suficiente. Nunca me deixes a pensar que já dei tudo. Nunca me deixes pensar que as minhas oportunidades se esgotaram - mostra-me que as oportunidades nunca se esgotam.
Por favor, nunca me deixes.

[30 de Novembro de 2010]

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

E aquelas letras felizes, as palavras alegres e as juras para sempre fazem sentido enquanto forem contigo. Quando deixarem de ser (porque um dia vão deixar de ser, que eu sei), vai ser bom poder pensar que esses momentos existiram e foram os melhores de sempre. Todas as juras, todas as letras partilhadas e as infindáveis palavras contadas, foram tudo bons momentos - mesmo que com lágrimas - foram os nossos momentos. E eu acho que não me vou esquecer deles. (Mesmo que um dia tudo acabe.)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A moldura da gravura era verde. O desenho estava a preto e branco. E mostrava-nos a nossa ponte engolida pelo nevoeiro. A mesma imagem que hoje vimos juntos. E a emoção foi a mesma: como podem o branco e o preto, a ponte quieta e o nevoeiro silencioso trazer-nos tantas memórias, tantos momentos que nos vão custar apagar da tela que tem sido a nossa vida? Como o desenho que víamos naquele quadro de moldura verde, que quando choveu ficou com uma única cor: um cinzento vazio.