«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Como sempre,
ele aceita todos os abraços, todos os acenos gentis, todos os cumprimentos, todos os sorrisos, todos os segundos em que alguém o vê - aí sente-se gente, sente-se alguém.
Como sempre,
toda a gente tem uma opinião a dar, toda a gente tem algo a dizer, toda a gente pensa em alguma coisa, toda a gente sente algo, diz algo, vê algo.
Como sempre,
ele sabe sabe que há quem não o veja, que há quem não o sinta, nem tão pouco saiba da sua existência, ele sabe disso, e é isso que o magoa.
Como sempre,
todas as palavras escritas têm um sentido, mesmo que indecifrável para a maioria, como sempre ninguém percebe o porquê de algumas frases.
Como sempre,
ele escrevia sem que ninguém o soubesse, lia sem que ninguém o visse, sem que ninguém o aconselhasse - descobria um mundo de páginas com vidas.
Como sempre,
a única coisa que ele queria era poder um dia ser visto de forma diferente, ter um aceno que o marcasse mais, acenar de forma a marcar alguém, escrever para alguém e ler com alguém, como sempre, a única sensação que ele queria para si por um bocadinho era o amor - que nunca o sentiu verdadeiramente.
Como sempre...

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