«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

É isso mesmo. É o meu sonho. Descobriste-o. Ou talvez não o tenhas descoberto, porque nunca o escondi de ninguém. Sim, é esse o meu sonho. E ninguém me tira da cabeça que um dia o hei-de viver, o hei-de realizar. E só te quero a ti e a toda a gente atentos para perceberem e me dizerem que é o meu sonho que está a acontecer, por favor, não deixem de me avisar, porque às vezes isso passa-nos à frente e nada fazemos. E eu quero fazer algo: quero aproveitá-lo.

Mas o que é que estou para aqui a dizer? Desculpa lá, hoje estou triste e isso lixa-me a vida. Anda tudo torto ou então sou eu que não me endireito com o mundo, com as pessoas que o habitam, e com a história dos sonhos impossíveis. Todos os sonhos deviam ser possíveis, não achas? É que fico assim só de pensar que um dia posso morrer sem realizar os meus. Mas os meus sonhos são tão difíceis de realizar... principalmente neste mundo que me parece nunca estar preparado para mim.

Que treta!

Ai, e esta vida que insiste em me deixar assim. É que há dias em que não estamos bem. Mesmo que passemos um ou outro momento bem, o dia no seu todo é cheio de maus cálculos de espaço, em que acabamos por bater na porta do armário, na esquina da secretária, no sapato que está no caminho ou, e mesmo sem querer, no gato que se põe no nosso caminho... ai e aqui em casa o que não falata são gatos, tu sabes. E é difícil. Eles estão sempre a meter-se no nosso caminho, e correm felizes pelo verde do jardim, mas depois tens a vida que te chama e que te diz que não és um gato e que não podes correr assim: feliz no verde de um qualquer jardim.

Porquê?

São as contas que vou ter de pagar, o dinheiro que está a acabar antes de chegar e a merda dos sonhos que exigem dinheiro. Desculpa, disse merda e não devia ter dito merda. Mas que merda de vida é esta que ando a viver? A sério que não percebo, é o que nunca quis para mim: uma vida assim - triste e sem orientação. Por favor, deixa cair uns trocos no caminho, um talão dos jogos de dinheiro, ah, e se poderes, a realização dos meus sonhos mais perto de mim. É que há dias em que é difícil conviver com eles e hoje é um deles, apesar de não dever. A inspiração que recebo devia dar-me forças para ser melhor, mas deixa lá, não é esse o caso.

Hei-de me sentir um dia inteiro feliz, o que dizes? Gostas da ideia? Eu também gosto, e vou lutar para ser feliz, como aliás acho que tenho feito, mas não sei porquê, hoje não está a resultar e estou assim, enfim.

Vou ali. Adeus.

1 comentário:

  1. Há dias em que tudo nos corre mal! Mas não devemos ficar só por esses dias!
    E encontrar as coisas positivas de uma vida que ainda não atingiu o objectivo com que tanto sonhamos!

    Um beijinho enorme*

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