Olá. Não sei como começar esta carta, que como todas as outras te vem falar de mim, da minha vida, do meu amor. Nunca soube como começar cartas. Não gosto dos formalismos, e não gosto de demasiada proximidade, não deixa de ser uma carta, um papel com letras que formam palavras e frases que juntas fazem sentido e contam algo. Esta carta é só mais uma, mas, mesmo assim, não sei como a começar.
Mas sem querer já a comecei. E comecei com um "Olá." Espero que não te importes, mas não me quero debruçar muito sobre esse assunto. Tenho mais que fazer do que pensar em como começar cartas. Enfim.
Acho que te posso falar da noite aqui, deste lado do mundo. A noite aqui é bonita, não como aquelas em que partilhámos tudo, mas bonita. Hoje está uma lua linda... E esta é mesmo linda! Acho que nunca partilhei uma lua assim tão linda, e como hoje não estás aqui comigo, decidi escrever-te esta carta, para poder partilhá-la contigo, que é com quem me apetece que partilhe os bons momentos. Espero que gostes desta lua tanto quanto eu!
A vida aqui tem corrido o seu curso normal. Tenho andado adoentada, e isso é uma chatice! Mas já estou a melhorar, e estou quase, quase a começar as aulas na minha nova escola... Estou tão entusiasmada! Nem imaginas o que sonho... é que todas as noites acordo a pensar em como será a vida nesta nova escola, cheia de gente que não conheço, com pensamentos diferentes, e com vidas que são em tudo distantes da minha. Tenho medo que me achem estranha. Um medo real, porque afinal essa é uma realidade - muitas pessoas me acham estranha. Tu, achas-me estranha?
... este é o lado mau de escrever cartas, é fazer perguntas, mas nunca ter as respostas no momento, mas, por favor, responde-me sempre às perguntas. Eu espero o tempo que tiver de ser, mas nunca me deixes sem respostas, é que penso em tantas perguntas para te fazer, que depois ficar sem respostas era uma chatice.
Mas vá, não te empato mais, já dei o gostinho ao dedo, já matei as saudades da alma e já partilhei esta lua linda que sobe na noite, como o sol sobe no dia.
Espero que gostes destas palavras, por simples que sejam, foram escritas nesta folha de papel a pensar sempre em ti!
E agora vem outro problema - como terminar a carta... Não quero saber, termino como acho que a devo terminar: com o mais sincero dos sentimentos e o menos possível de ser realmente perfeito.
Com Amor,
Carlota.