«nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só
pelo bem que soam juntas»

José Saramago in A Viagem do
Elefante


quinta-feira, 25 de março de 2010

Naquele dia...

Naquele dia ele fez tudo a correr...
Queira fazer tudo a correr só para chegar perto dela outra vez.
Para voltar a senti-la.

Conversou a correr.
Comeu a correr.
Trabalhou a correr.

Viveu a correr.

Tudo isso inconscientemente.
Só para estar perto dela.
Para voltar a pensar na vida.
Para voltar a olhar orgulhoso para a vida.

Aquele dia, ele viveu-o bem-disposto.
Mesmo apesar de ser um dia que o deixava triste.
Foi naquele dia que passavam dois anos sobre a morte dela.

Naquele dia ele continuava a amá-la.
E esteve sempre com ela...

2 comentários:

  1. Adorei este poema!

    Também continuas a escrever da mesma maneira, muito melhor, mas há um traço que te persegue!

    Lembro-me de uma brincadeira que fizemos numa aula da prof. de português... que os meus textos acabavam sempre bem e os teus tinham sempre algo que nos deixavam a pensar : Coitados! :P
    Mas adoro-os.

    beijo grande

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  2. sempre que te leio...há certas frases, ou posts que me tirasm a respiração...a intensidade com que sentes estes momentos transparece deste lado...isto, contrariamente ao que escreveste algures num post teu...é um DOM menino...agarra-o!

    (revejo-me muito MESMO na tua escrita...vejo a cArrie dos 20 anos...às vezes olho para o que escrevi dos 17 aos... 23/24 e penso...caramba...fui mesmo eu?...e depois não sei o que me aconteceu deixei de ter a capacidade de transformar tudo num poema intenso...não deixes que isso te aconteça.)

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