Porque disseste que voltavas, mas nunca voltaste, e porque disseste que não me irias mentir mais, mas mentiste uma e outra vez. É assim a vida e isso eu já devia saber. Mas nós acreditamos nas pessoas, esperamos que mudem, que nos mostrem o seu outro lado e que elas próprias o descubram. Mas nem sempre isso acontece, e tu voltaste a mostrar-me isso, e eu só te tinha pedido para que nunca o fizesses.
Mas voltaste a fazê-lo e foi difícil olhar-te de novo hoje, ali, naquele banco de jardim com o teu sorriso feliz, e com o teu chapéu de aba larga verde claro. Estavas bonita. Como sempre, aliás. Mas foi difícil ver-te ali e não te poder desfazer o sorriso hipócrita com as lágrimas que provocaste. Houve quem sempre te adorasse, e não tivesse a culpa de seres assim.
Mas espero que um dia a vida te mostre isso. Porque afinal de contas, o amor é rápido a chegar mas demorado a ir embora. Muito demorado.
Porque nem sempre aquilo que queremos é aquilo que acontece.
Porque nem sempre aquilo que sonhamos se concretiza.
Porque nem todos os dias podem ser dias de Primavera.
Há que olhar pra o dia seguinte e pensar: porque não amanhã?
[para a C., com o carinho do costume]